Felizmente, nos dias que correm, as energias renováveis são bem recebidas pela população e pelos governos pelo que é natural que se encontrem em franco crescimento. A questão que coloco é: a que custo?
Um dos meus destinos de férias preferido é o Parque Natural de Montesinho ao qual tenho regressado quase anualmente, ao longo dos últimos 5 ou 6 anos. De ano para ano, uma paisagem que possuía, quando a descobri pela primeira vez, uma indescritível beleza agreste, praticamente intocada por mãos humanas, vem-se transformando num imenso campo de geradores eólicos.
Acredito que o impacto nos ecossistemas seja muito reduzido pois, felizmente, as ventoinhas não poluem. Mas… E o impacto visual? Até agora, os cumes das montanhas distantes eram os únicos locais a que não chegava a mão do Homem e onde podíamos, mesmo em plena Europa, encontrar a Natureza num estado selvagem. Agora, parece não haver pico que não tenha um aerogerador. Teremos o direito de roubar estas paisagens às gerações futuras?
É difícil, com belos spots publicitários, como este da EDP, ver algum mal nesta energia! Os últimos segundos do anúncio, no entanto, demonstram bem aquilo de que falo.
Há uma linha ténue a separar as vantagens e as desvantagens de cada decisão que se toma e é preciso ponderar bem se os ganhos justificam os custos…
7 de Outubro de 2008 às 23:15 #Vitor Sérgio
É, infelizmente é como diz o Paulo Almeida Santos, as nossas serras estão a saque.
Se um Parque é Natural, vejo muito contra-senso na colocação dos tão desejados aerogeradores, pois é sabido da incompatibilidade deste projecto com a preservação dos valores naturais destas montanhas.
Oh meu deus, este projecto de energias renováveis é necessário, mas não estraguem outros projectos igualmente, ou mais importantes, como os da preservação de espécies em vias de extinção, como o Lobo Ibérico por exemplo. A construções de estradões de acesso a cada moinho é meio caminho andado para a desertificação da zona, em termos da fauna.
Mas eles é que são engenheiros…
Mais aqui: http://montanhasibericas.blogspot.com/2007/10/montesinho-indefeso.html
8 de Outubro de 2008 às 13:54 #Romulo
Sem estar dentro do tema até acabo por concordar, mas também queria preservar essas paisagens para mim, não só para as gerações futuras. Quero lá bem saber deles
Também já tinha reparado nessas ‘ventoinhas’, poucas são engraçadas, evocam a criatividade da engenharia para soluções ecológicas. Muitas começam a pesar bastante nas paisagens, e a única coisa que conseguem evocar é que essa criatividade têm de continuar